A história da igreja mais antiga de Goiânia, a Igreja de São José

A história da igreja mais antiga de Goiânia, a Igreja de São José
Escrito por Camila Caetano no dia na categoria Cidade

A Igreja de São José, localizada no bairro de Campinas, é considera a igreja mais antiga de Goiânia. Ela foi inaugurada no dia 11 de agosto de 1901 pelos padres redentoristas e inicialmente recebeu o nome de Capela da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

A antiga capela fazia parte do complexo de edifícios que compunham o Convento São José fundado pelos padres redentoristas alemães, construído entre os anos de 1895 e 1901.

Igreja de São José foi construída em 1901 e passou por modificações arquitetônicas na década de 1930. A configuração atual data desta época | Foto:  Carla Falcão

A construção original tinha 16 metros de comprimento por 8 metros de largura. A edificação da capela introduziu a novidade da construção em alvenaria, ainda desconhecida na região que estava acostumada a construir com esteios de aroeira.

Durante toda a década de 20, a agora chamada Capela de São José foi de grande importância para eventos religiosos na cidade. O local recebia celebrações católicas no meio da semana. Aos finais de semana, as celebrações eram realizadas na antiga Igreja Matriz.

Em 1931 a capela foi remodelada recebendo paredes de tijolo, uma torre mais elevada e por último um altar no estilo gótico todo em madeira, este entregue a igreja no ano de 1933. A capela sofreu então alterações no nome, passando a ser conhecida como Igreja São José.

Posteriormente, quando o povoado de Campininha das Flores passou a ser o Setor Campinas, parte da cidade de Goiânia, o convento e o seminário foram desativados e derrubados. A área foi loteada originando a Vila São José, setor vizinho ao bairro de Campinas.

Janela da Igreja de São José. Construção apresenta alguns desgastes e marcas de reforma | Foto: Carla Falcão

Hoje, mesmo com a expansão da cidade, a Igreja São José ainda funciona e resiste ao tempo. Em outubro de 1982 o Governo do Estado efetivou o tombamento da Igreja no despacho no 1096/82, solicitado pelo escritor José Mendonça Teles, que na época era Conselheiro Estadual de Cultura.

Como bem cultural tombado, a Igreja de São José está sob proteção especial do Estado, protegida pelo Decreto 4993 de 31 de agosto de 1988. Atualmente, a propriedade da Capela continua com os Missionários Redentoristas de Goiás, mas a restauração e proteção cabem ao Estado de Goiás.

Você pode conferir  como está a capela atualmente por meio de um VÍDEO em nosso canal no Youtube!

 

Campininha das flores e sua vocação cristã

Imagem reproduzida do livro “A freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Campinas”, do Pe. Wellington Silva, mostra carros de boi em frente à Igreja de São José | Foto:  Reprodução

Antes de ser bairro, Campinas era um povoado. Fundado antes da capital Goiânia, estava no rumo das linhas de estradas de ferro e era conhecida como Campininha das flores.

A escolha do sítio para construção de Goiânia ocorreu em 1933. Para isso, alguns locais candidatos a sediarem a nova capital foram visitados pelos profissionais da empreitada. Após as visitas, eram produzidos pequenos relatos de avaliação sobre as atuais condições do local.

O relato mostrava a Campininha das flores como uma cidade pouco desenvolvida e de economia de base agrária. No entanto, também foi apontada a força política da Igreja, como uma organização muito importante na estrutura da cidade e um propulsor para o seu crescimento.

A Campininha das flores era uma das principais cidades a ter recebido os padres redentoristas alemães no século XIX, a segunda, era a atual Aparecida do Norte em São Paulo. Esses padres saíram Brasil adentro a fim de difundir a religião católica. Um dos meios para obter sucesso em tal empreitada era a ocupação do território com construções de novas igrejas e centros de fé católica.

Na época da visita dos profissionais responsáveis pelo projeto de Goiânia no sítio de Campininha das flores, já existia também a Igreja Matriz de Campinas, uma construção anterior a que conhecemos atualmente. A antiga Matriz foi derrubada em 1950.  Campininha das flores também era rota da Romaria do Divino Pai eterno de Trindade.

A Igreja de São José é a única construção resistente do inicial convento e seminário redentorista. Assim, simboliza, ainda que de maneira intrínseca, a escolha de Campininha da flores como a cidade base para a construção da nova capital do estado.

 

Igreja de São José ainda recebe eventos religiosos

Parte interna da Igreja de São José. Capela recebe pequenas celebrações em datas previamente estabelecidas. Na maior parte do tempo, fica fechada  | Foto:  Carla Falcão

A Igreja de São José não fica constantemente aberta para visitação devido à necessidade de reforma de sua estrutura. A Arquidiocese de Goiânia é responsável pela manutenção e o prazo para início da obra de restauro ainda gera grandes dúvidas. Por se tratar de um bem tombado, a reforma ocorre em condições bem especificas.

Assim, o acesso fica restrito aos momentos onde há eventos religiosos no local. Atualmente todas as quintas-feiras, às 19h30, há o ensaio da liturgia. E, todo último sábado do mês a Igreja de São José abre para a oração das Mil Ave-marias, às 13h.

Para ter acesso ao local é necessário dirigir-se a secretaria da paróquia de São José, que fica em frente à capela, explicar suas as intenções de visita e pedir autorização.

 

Quer saber mais?

Livro: A freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Campinas – Autor: Pe. Wellington Silva

Onde encontrar: exemplares estão à venda na secretaria da Igreja Matriz de Campinas

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