Como o carnaval de rua está ganhando foliões em Goiânia

Como o carnaval de rua está ganhando foliões em Goiânia
Escrito por Karine Almeida no dia na categoria Cidade

Carnaval em Goiânia há alguns anos era  encarado como sinônimo de marasmo.  Mas o paradão das ruas deu lugar ao movimento de foliões fantasiados, marchinhas, samba, trio elétrico, axé. Ainda não é uma folia que mobiliza a cidade toda. Todavia, é notável a mudança de comportamento do goianiense em relação ao carnaval. Ela está ocorrendo aos poucos e mesmo os passantes mais animados dos blocos de rua, que saíram pela cidade no pré-carnaval da semana passada,  não sabem mensurar ao certo de onde veio essa vontade de pular carnaval.

Foliões do Bloco do Seu Vagem caminhos pelas ruas de Goiânia | Foto: Alan Moreira / 2017

O colorido das fantasias, abadás e adereços teria começado a ganhar a multidão com ideia do Carnaval do Amigos, que surgiu a 16 anos. O percursor Rener Bilac é nome recorrente ao conversar com organizadores dos 11 blocos da Liga Carnaval dos Amigos, que mobiliza bares de Goiânia, em um esquema que concilia pacotes a preços encorpados de open food, open bar e uma festa aberta ao público  –  financiada pelos blocos – no Parque Vaca Brava.

O carnaval em Goiânia e se popularizou entre os bares, principalmente do Setor Bueno, começa a ganhar outros segmentos e vertentes. Em comum,  se vê que o percorrer da cidade fazendo festa é apenas parte do pacote.

Novos blocos de carnaval estão surgindo em Goiânia

Com abadá, open bar e shows, foliões se concentram no Café Nice antes de percorrerem as ruas do Setor Bueno em direção ao Parque Vaca Brava | Foto: Carla Falcão

O Bloco de Seu Vagem, que chegou a 3ª edição, claramente mobiliza um público mais jovem. Dispensa o abadá, mas incentiva as fantasias. Ao longo do ano, realiza eventos que funcionam como ensaios da folia. No sábado (3/2), concentrou foliões na Praça do Cruzeiro, no Setor Sul, e desceu a Rua 87, em direção a um espaço de festas nas imediações do Estádio Serra Dourada. A entrada era paga.

“É difícil encontrar uma pessoa que não goste de carnaval. Em Goiânia conseguiram resgatar a ideia de carnaval de rua”,  avaliou  Whetina Oliveira, organizadora do Bloco do Café Nice. Presente dos os bastidores até a festa em si Whetina aponta que o folião goianiense é diversificado. “Todo mundo pula carnaval em Goiânia. A criança, o idoso, a mocinha, todo mundo.”

A percepção dos foliões sobre a festa em Goiânia

Fantasiada de sereia, Ana Júlia pulou o carnaval 2017. Foliã gosta de ver a integração entre as pessoas | Foto: Alan Moreira

O carnaval de rua de Goiânia, segundo os foliões,  é lugar de curtição sadia. “É um dos poucos lugares onde você vê gente que não se conhece curtindo junto, de repente as pessoas complementam a fantasia uma da outra”, relatou o fotógrafo Alan Moreira, que acompanha o carnaval na cidade há três anos, desde que o bloco com uma pegada mais alternativa começou.

Já pensou você de sereia e o crush de pescador? Já rolou por aqui, é o que conta Eugênio Tavares, um dos organizadores do Bloco do Seu Vagem. “O goiano tem se mostrado bastante criativo nas fantasias. Já vi namorado pescando a parceira fantasiada de sereia, as Tartarugas Ninjas, ceguinho pedindo telefone das moças, tem de tudo”, comentou.

Serjão Loroza foi atração principal do show aberto do Carnaval dos Amigos. Antes, ele se apresentou no Café Nice | Foto: Paula Falcão

Quem são os foliões

Tem aqueles que compõem suas fantasias com temas de impacto social. É o que Mabel Rocha, mais conhecida como Tia Bolacha, faz! “Eu penso o ano todo! O que vou fazer, de que vou me fantasiar”. Tia Bolacha é madrinha do Bloco Café Nice e acompanha as mudanças do carnaval em Goiânia percorrendo as ruas há dez anos. “Quando comecei a pular o carnaval aqui eram menos pessoas, era mais tranquilo e com os anos só vem crescendo”, ponderou.

A foliã Ana Júlia de Castro gosta da interação entre as pessoas que o ambiente carnavalesco propicia. “Já vi crianças e animais no bloco, o que é muito legal! Gostaria de trios maiores pra galera seguir, com mais shows”, afirmou a fotógrafa. “A ideia é criar uma tradição. O carnaval é a maior festa do Brasil, é democrática! Na rua ninguém tem classe social, cor ou raça”, ressaltou Eugênio.

Chupa que é de uva? Folião usa balões e irreverência para montar fantasia no Bloco do Seu Vagem, em Goiânia | Foto: Paula Falcão

Quer saber o que vai ter para o feriadão na cidade? Confira nossa agenda de Carnaval!

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