Desenho do Centro de Goiânia não representa a figura de uma santa

Desenho do Centro de Goiânia não representa a figura de uma santa
Escrito por Camila Caetano no dia na categoria Cidade

O desenho do Centro de Goiânia é continuamente confundido no imaginário da população com a representação da figura de uma santa (ou o manto de Nossa Senhora Aparecida). Esta é uma referência importante no sentido que sensibiliza o cidadão ao pertencimento da cidade. No entanto, não tem qualquer ligação com as intenções iniciais do projeto da nova capital de Goiás.

A comissão encarregada de dar vida ao projeto de construção da capital contratou o arquiteto Attílio Corrêa Lima. Na época, ele tinha 32 anos! Attílio se formou pela Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e era doutor em Urbanismo pelo Urbanismo no Institut d’Urbanisme de Paris. No projeto ele intencionou construir uma cidade monumental, o que é notório no Centro de Goiânia.

Cartaz de divulgação da criação de Goiânia | Fonte: Livro – Goiânia: uma concepção urbana moderna e contemporânea – Um certo olhar

Projeto de Goiânia começa pela Praça Cívica

A atenção inicial do arquiteto centrava-se na criação da Praça Cívica como centro administrativo. Abaixo deste espaço radiocêntrico, um arruamento em forma de triângulo, que demarcava o sítio onde a nova capital deveria ser construída.  Este desenho no Centro de Goiânia é formado por três vias: Avenida Araguaia, Avenida Tocantins e Avenida Paranaíba.

Primeiros esboços de Attílio Corrêa Lima para a Praça Cívica | Fonte: Livro –  Goiânia: uma concepção urbana moderna e contemporânea – Um certo olhar

O projeto previa a construção de uma cidade para uma população de 50 mil pessoas.  A capital teria o Setor Central, o Setor Sul,  o Setor Norte (abaixo da Avenida Paranaíba) e o Aeroporto (hoje, Setor Aeroporto).  A rápida expansão, com a chegada de novos moradores, foi transformando aos poucos Goiânia na metrópole que é hoje.

O projeto de Attílio também evidencia algumas ideias do urbanismo moderno, como a divisão da cidade em zonas, que convergiam no Centro de Goiânia. Estas ideias foram posteriormente aplicadas em totalidade na construção de Brasília por outro arquiteto, Lúcio Costa.

Goiânia marca a história da Arquitetura mundial

Foto aérea de Goiânia no início da ocupação da cidade | Fonte: Goiânia Art déco –  acervo arquitetônico e urbanístico dossiê de tombamento

Goiânia é uma cidade muito importante na história da Arquitetura e Urbanismo da humanidade, pirem! Na época de sua construção, o País passava por um momento de expansão territorial e crescimento urbano. Várias capitais começaram a ser construídas. A sequência começou por Belo Horizonte, passou por Goiânia, Brasília e terminou na última capital edificada do Brasil, Palmas.

Neste contexto, Goiânia foi projetada para ser o novo centro político e administrativo de Goiás. Sua pedra fundamental foi lançada em 24 de outubro de 1933.  A cidade foi idealizada num período de grande mudança de estilo para a arquitetura e a arquitetura das cidades, o chamado urbanismo.


Perceptível monumentalidade no Jardim do Palácio de Versalhes

O urbanismo como campo de conhecimento surge no final do século XIX na Europa. Era o período pós-revolução industrial, em que transformações eram  necessárias para mudar a realidade caótica das cidades.

O projeto de Goiânia foi inspirado em planos renascentistas anteriores, como o Palácio de Versalhes e em cidades dos EUA como Washington e Chicago. Naquela época, essas cidades simbolizavam uma busca pelo ideal. Era um momento histórico de independência de uma nova nação. Isto inspirou muito Attílio!

Vista aérea da cidade de Washington nos EUA

Goiânia pode ser caracterizada como uma cidade pré-moderna no coração do cerrado brasileiro. A construção da capital apresenta-se profundamente atrelada à evolução urbana do Brasil e do urbanismo no mundo.

Projeto inicial para Goiânia de Attílio Corrêa Lima | Fonte: Livro –  Goiânia: uma concepção urbana moderna e contemporânea – Um certo olhar

Introdução do estilo Art Decó em construções

Na sequência,  houve a construção dos primeiros edifícios no estilo arquitetônico da chamada escola Art Decó. Posteriormente, algumas edificações modernas e as novas intervenções “contemporâneas”.  Além disso, a relação da evolução da cidade com as suas áreas verdes tornam Goiânia uma cidade impar no interior do Brasil.

Vista aérea de Goiânia a partir da Praça Cívica. Foto recente mostra traçado do Centro sobre novo ângulo | Foto: Lá do Alto

Atenção!

Este é o primeiro de uma série de artigos produzidos pela arquiteta Camila Caetano Feliciano. Nascida e criada em Goiânia,  ela acaba de voltar de um período de quase três anos no Rio Grande do Sul, onde realizou seu mestrado em Arquitetura.

Ela vai nos contar um pouquinho sobre a cidade e sua história. A ideia é expor sobre a concepção de Goiânia, a construção e a evolução sob o ponto de vista da valorização de edifícios, bairros, ruazinhas e micro cantinhos. Consideramos isto importante para nos conectar mais com os lugares do nossa cidade. Vem com a gente!

 

Quer conhecer mais sobre o assunto?

Recomendamos os livros a seguir:

Goiânia: uma concepção urbana moderna e contemporânea – Um certo olhar.

Autora: Celina Fernandes Almeida Manso.

 

O itinerário pioneiro do urbanista Atílio Correa Lima.

Autora: Anamaria Diniz

 

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