O Bosque dos Buritis que a gente pouco conhece

O Bosque dos Buritis que a gente pouco conhece
Escrito por Carlos Freitas no dia na categoria Cidade

Nem só de lagos, canais e espaço verde vive o Boque dos Buritis, no Setor Oeste, em Goiânia. E é muito natural o local remeter a descaso, inspirar a prática de exercícios pela manhã e passeios tranquilos no fim de tarde. Comer pipoca. Tomar água de coco. Observar os patos. Mas a verdade é que o Bosque tem um pulsar cultural que nem todo mundo conhece ou usufrui. Por isso, o Aproveite a cidade decidiu evidenciá-lo para você!

Canais conectam os lagos do Bosque dos Buritis. Paisagem cheia de verde é apreciada pelos visitantes / Foto:  Nana Caê

Talvez você não tenha reparado, mas há algumas construções no Bosque dos Buritis.  Você já visitou o Museu de Arte de Goiânia (MAG)? Ele fica ali dentro do parque. Já reparou que há um Orquidário ali perto do estacionamento? Ou se deparou com alunos carregando telas ainda com tinta fresca, recém-saídos do Centro Livre de Artes? Cada uma destas estruturas têm objetivos socioculturais e se encontram em ritmo de funcionamento diferentes.

 

Museu de Arte de Goiânia (MAG)

Entrada do Museu de Arte de Goiânia: já há obras de arte do lado de fora. Pare e observe. As pegadas no chão são um convite para conhecer a construção da década de 1970 / Foto: Paula Falcão

O Museu de Arte de Goiânia (MAG) foi inaugurado no dia 20 de outubro de 1970.  Por isso, é o primeiro museu público-municipal de artes plásticas da região Centro-Oeste e conta com três Salas de Exposição. Uma delas, localizada em outra sede, no SEPAC – Sala de Exposição do Palácio da Cultura – na Praça Universitária.

Na parte do MAG, que fica no Bosque dos Buritis, há a Sala Amaury Menezes, reservada para as exposições do acervo, e a Sala Reinaldo Barbalho, para eventos e exposições. Na primeira delas, visitamos a exposição sobre “os 47 anos do Museu e os 84 anos de Goiânia”, em outubro. Você pode assistir ao vídeo AQUI!

Exposição de G. Fogaça e Pitágoras Lopes no Museu de Arte de Goiânia, em agosto de 2017 / Foto: Carlos Freitas

Em 2016, o local recebeu 15.945 visitantes. A meta, segundo diretor do MAG Antônio da Mata, é aumentar este número. Para isso, o diretor apela para todos os métodos possíveis. “Quando estou de folga chego a fazer o trabalho de chamar as pessoas no Bosque para conhecer o museu”, disse Antônio, aos risos.

O diretor do MAG criou em 2017 o projeto “Arte no Bosque” com a intenção de fazer as pessoas ocuparem o parque. Houve ainda mostras de música e performances artísticas. “É um trabalho de formiguinha fazer arte em Goiás”, salientou.

Diretor do museu desde 2015, Antônio lamenta que o interesse pela arte seja pequeno, apesar do aumento de público indo ao Museu. “Nós não formamos as pessoas para ver a arte. Eu queria que fosse como o futebol, uma coisa de massa, mas, por algum motivo, a arte é elitizada no País”, diz.

Exposições no MAG


Paula Falcão em visita ao Museu de Arte de Goiânia, durante a exposição “47 anos do MAG comemorando os 84 anos de Goiânia”/ Foto: Carla Falcão

O calendário do MAG para 2018 já está fechado. Inicia-se em 21 de fevereiro, com exposição da artista Isa Costa, e se encerra já no início de 2019, com grande exposição do acervo.  Desta forma, serão nove exposições durante o ano (a duração média varia entre 50 dias e 55 dias cada), e, seis delas, são de artistas de fora de Goiânia.

O Museu de Arte de Goiânia também possui setores de Intercâmbio e Exposições, Conservação e Restauração, Reserva Técnica e área de Ação Educativa, onde ocorrem oficinas de artes plásticas, além de uma Biblioteca Especializada.

Centro Livre de Artes (CLA)

Quase 1,4 mil alunos têm aulas de artes cênicas, artes visuais e música no Centro Livre de Artes por valor acessível / Foto: Carlos Freitas

Inaugurado há 42 anos, o Centro Livre de Artes (CLA) é uma escola de artes da Prefeitura de Goiânia, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura (Secult). A intenção do lugar é dar aos associados e à comunidade condições de vivenciar e apropriar-se da cultura.

O CLA tem, atualmente, 1.398 alunos matriculados, funciona nos três turnos (matutino, vespertino e noturno), com 114 servidores. Segundo a diretora do Centro, Débora Morais Marra, que está há três anos no cargo, dentre os cursos e oficinas há oportunidades nas áreas de música, artes plásticas e artes cênicas.

A arte permeia o Bosque dos Buritis. Banquinho em torno de árvore apresenta mosaico/ Foto: Paula Falcão

A diretora não soube especificar quantos cursos acontecerão em 2018, porque a grade ainda está aberta. Porém, prevê diminuição em relação a 2017. Um dos fatores que pesa para isso, de acordo com ela, é que “muitos professores estão se aposentando, pois o último concurso aconteceu no ano 2000.”

A professora explica que as matrículas nos cursos de artes visuais e a oficina integrada começam no dia 6 de novembro e ocorrem até março na secretaria do CLA, no Bosque dos Buritis.  O início das aulas está previsto para 19 de fevereiro.  Ou seja, é possível se inscrever com as atividades já em andamento até que as vagas esgotem.

A maioria dos cursos é semestral. A exceção são os de música – são anuais. Os alunos pagam uma taxa única a cada seis messes no valor de R$75. Os que comprovarem baixa renda ficam isentos.

 

Orquidário

Orquidário Orlando Arruda não abres as portas regularmente desde 2016. Administrador relata histórico de furtos / Foto: Carlos Freitas

O Orquidário Antônio Arruda foi construído em 2009 e era uma reivindicação da Associação Goiana de Orquidófilos (AGO), que mantém o local. O espaço que leva o nome de um dos maiores orquidófilos de Goiás, não têm horários regulares de funcionamento desde 2016. Na maior parte do tempo, fica fechado para visitação pública.

O administrador do Bosque dos Buritis, Djânio Arantes, afirmou que Orquidário está em situação critica. “Não está abrindo e está abandonado”, disse.  Segundo o presidente da AGO, Ozéias Augusto da Silva, os oito furtos contabilizados ao longo do ano passado tornaram impossível  manter um funcionário no local.

Escultura apresenta peixe que parece se movimentar no Bosque dos Buritis. Obra está próxima ao Museu de Arte de Goiânia / Foto: Paula Falcão

“Até verificarmos como ficará o problema da segurança não abriremos. Não é seguro para nós, nem para quem frequenta, nem para comprarmos plantas e colocarmos no espaço”, afirmou o Ozéias. A AGO vendia as plantas do Orquidário para sua própria manutenção. Restam  ainda 300 orquídeas no espaço.

“Falar com hoje com o prefeito (de Goiânia, Iris Rezende – PMDB) é muito complicado, e não creio que isto mudará em curto prazo. Minha esperança é que o novo administrador do parque consiga reverter isso, mas sei o quanto é difícil. Quem perde é a sociedade”, concluiu o orquidófilo.

 

A história

O Bosque dos Buritis é o mais antigo patrimônio paisagístico de Goiânia. Ele foi projetado no Plano Oriental da cidade para ser uma área verde. Com 124.800 m² possui três lagoas artificiais abastecidas pelo córrego Buriti, além de vários canais subterrâneos. Em um destes lagos está o maior jato d’água da América do Sul.

Segundo estudo do Conselho De Arquitetura E Urbanismo de Goiás (CAU/GO), de 2013, baseado na pesquisa realizada durante a elaboração do Plano de Manejo do Bosque dos Buritis em 2005, pela Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA), mostram como o urbanista Attílio Corrêa Lima, autor do plano urbanístico de Goiânia, descreveu o projeto do Bosque.

Que tal uma pipoca? Nada mais tradicional que comer pipoca e passear pelo Bosque dos Buritis / Foto: Nana Caê

“O Buritizal, localizado na extremidade da Rua 26, será transformado em pequeno Parque. Para isso será necessário drená-lo convenientemente, conduzindo as águas para o talvegue, em canal descoberto tirando partido deste para os efeitos de pequenos lagos decorativos. Este Parque que denominado dos Buritis se estenderá por faixas ao longo do talvegue e medirá 50 metros para cada lado deste, no mínimo, formando o que os americanos denominam ‘Park-Way’”, escreveu Attílio.

Ainda de acordo com o estudo do plano de manejo do Parque, a descaracterização da área iniciou-se logo na ocupação da cidade, no final da década de 30. Assim, o processo se intensificou na década de 40, chegando a uma redução de 70%. O desenho atual tem a configuração definida naquela época.

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